Depois de início com centração na região central, casos de Covid-19 em Campinas avançam rapidamente para áreas de maior vulnerabilidade social, alerta Boletim Epidemiológico (Foto Adriano Rosa)

Idosos com 60 anos ou mais somam 74,4% de óbitos por Covid-19 em Campinas

Os idosos com 60 anos ou mais de idade somam 74,4% dos 43 óbitos por Covid-19 registrados em Campinas até o dia 19 de maio, terça-feira. A letalidade aumenta consideravelmente nessa faixa etária, chegando a 50% entre pessoas com 90 anos ou mais. Os dados estão no Boletim Epidemiológico Doença pelo Novo Coronavírus Covid-19 número 5, elaborado em parceria entre o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. O documento aponta uma rápida progressão dos casos de Covid-19 nas áreas de mais alta vulnerabilidade social de Campinas, depois da concentração do número de casos nas regiões mais centrais e de mais alto Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

De acordo com o Boletim, entre os 43 óbitos por Covid-19 contabilizados até o dia 19 de maio em Campinas, 10 foram de pessoas na faixa de 60 a 69 anos, 10 na faixa de 70 a 79 anos, 9 na faixa de 80 a 89 e três na faixa etária de 90 anos ou mais. Foram registrados outros 8 óbitos na faixa de 50 a 59 anos, 2 na faixa de 20 a 29 anos e 1 na faixa de 30 a 39 anos.

Foram 22 casos de óbitos no sexo masculino e 21 no sexo feminino. A idade média dos pacientes que evoluíram a óbito foi de 68,8 anos. O Boletim alerta, entretanto, que ao contrário do que vinha ocorrendo nas semanas anteriores, a distribuição dos óbitos por faixa etária “não está mais concentrada exclusivamente entre maiores de 60 anos”.

Mulheres são maioria de casos confirmados

O Boletim Epidemiológico produzido por Devisa-SMS e FCM-Unicamp informa que a maior parcela dos 970 casos confirmados de Covid-19 até o dia 19 de maio em Campinas estava na faixa de 30 a 39 anos (255 casos). Em seguida aparecem as faixas etárias de 40 a 49 anos (205 casos), 50 a 59 anos (163 casos), 20 a 29 anos (122 casos) e 60 a 69 anos (107 casos). Foram registrados ainda 50 casos na faixa de 70 a 79 anos e 35 na faixa de 80 a 89 anos. Além disso, foram 18 casos na faixa de 10 a 19 anos, 9 na faixa de 0 a 9 anos e 6 na faixa de 90 anos ou mais.

Conforme o documento, as mulheres somam a maioria (534 casos, ou 55,1%) dos 970 casos confirmados até 19 de maio. O Boletim indica que outros “1805 casos foram investigados e descartados e 316 casos estão em investigação, aguardando resultados de exames”.

Do total de casos confirmados, informa o Boletim, 247 (25,5%) necessitaram de hospitalização, “sendo que a média de dias de hospitalização foi de 9,3 dias e a mediana de 08 dias”. Entre os casos confirmados 365 (37,6%) foram de profissionais de saúde (dos setores público e privado).

Avanço em áreas de maior vulnerabilidade social

O Boletim Epidemiológico detecta um rápido avanço dos casos de Covid-19 nas regiões de maior vulnerabilidade social de Campinas, após o início de maior incidência nas áreas mais centrais. “A expansão dos casos da região central para regiões periféricas do município continua de maneira acentuada, sendo que a região Sudoeste apresentou um aumento de 88,5% no número de casos na última semana, seguido da região Noroeste com 79,0% de aumento”.

De qualquer modo, a Região Leste (abrangendo Centro, Taquaral, distritos de Sousas e Joaquim Egídio, São Quirino, Costa e Silva e outros) soma o maior número de casos – 334 dos 970 confirmados. Em seguida aparecem a Região Sul (Vila Rica, Oziel, Campo Bela, Fernanda, Vila Ipê e outros), com 235 casos; Região Norte (Barão Geraldo, Santa Mônica, São Marcos, Santa Bárbara, San Martin e outros), com 174 casos; Região Sudoeste (Santa Lúcia, Aeroporto, Itatinga, DICs e outros), com 115 casos: e Região Noroeste (Perseu, Florence, Ipaussurama, Satélite Íris e outros), com 112 casos.

Comitê técnico entre Prefeitura e Unicamp

Os dados produzidos em parceria entre Devisa-SMS e FMC-Unicamp são fundamentais para a elaboração das políticas públicas e estratégias de enfrentamento da pandemia de Covid-19. Na quarta-feira, dia 20 de maio, foi anunciada a formação de um Comitê Técnico Assessor entre a Secretaria Municipal da Saúde e Unicamp, visando justamente produzir relatórios epidemiológicos e estudos como subsídios para a tomada de decisões.

No dia 12 de maio, o Portal Longevinews publicou a reportagem “Agravamento da pandemia reforça urgência de ações integradas na região de Campinas”. A reportagem reforçava a necessidade de ações mais integradas entre os 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e entre o poder público e as instituições, como a Unicamp, do polo científico e tecnológico de excelência sediado na região.

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