A rotina de isolamento de um casal de idosos na zona rural de Minas Gerais. Fotos: Isis Medeiros.

A solidão de idosos na pandemia no lugar onde o tempo parou

A rotina de isolamento de um casal de idosos na zona rural de Minas Gerais durante a quarentena da Covid-19 é o tema da segunda série de ensaios fotográficos publicados pelo Portal LongeviNews sobre como as pessoas idosas estão enfrentando a pandemia em diferentes locais do planeta.

O registro foi realizado pela fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros. Ela acompanhou o dia a dia dos avós, Osvaldo, de 93 anos, e Terezinha, de 92 anos, moradores de uma fazenda na zona rural de Canaã, cidade com cinco mil habitantes na região conhecida como Zona da Mata mineira, captando as mudanças impostas na vida do casal pela pandemia do coronavírus.

Casados há 70 anos, eles tiveram oito filhas. Antes marcado pelas alegres visitas dos familiares, que sempre apareciam para prosear sem pressa, o cotidiano de Osvaldo e Terezinha se transformou, de uma hora para outra, em intermináveis dias e noites vazios, acompanhados de uma grande melancolia e do medo da solidão e da morte, longe das pessoas queridas, revela a neta Isis.

Impactos da quarentena

De acordo com ela, a proposta original do trabalho era contar histórias e mostrar a rotina despojada e humilde que os avós mantêm há décadas no campo e a relação deles com a finitude da vida. Isis conviveu com eles durante toda infância, passava os finais de semana e férias junto aos avós e por isso batizou o projeto de “Histórias do Meu Quintal”.

Contudo, a pandemia acabou proporcionando também um outro olhar sobre o trabalho, ao revelar os impactos que o isolamento social causou no cotidiano no casal de idosos.

Parte do trabalho, intitulado “Canaã”, foi publicado em outubro pelo Instituto Moreira Salles e pode ser acessado na íntegra pelo perfil da fotógrafa no Instagram: @isis.medeiross

Sobre a autora

Isis Medeiros nasceu em 1989 em Ponte Nova (MG) e graduou-se em Design pela escola de Design de Minas Gerais (UEMG). Trabalha como fotógrafa documentarista e desenvolve projetos autorais voltados a defesa dos direitos humanos. Integra coletivos de fotografia e comunicação e colabora com mídias impressas e eletrônicas no Brasil e no exterior.

Isis tem um trabalho forte de denúncias dos crimes socioambientais causados pela mineração em Minas Gerais e sobre a violação dos direitos dos atingidos por barragens. Seu trabalho foi exposto em 2017 no XII Fórum Social Mundial em Montreal (Canadá), e em 2018 em Arles (França). Teve duas exposições circulando no Brasil sobre a temática. São elas: “Vale?” e “Mulheres Atingidas: da lama à luta”, ambas sobre as consequências dos crimes socioambientais da mineração no Brasil. Foi a única brasileira a receber menção no concurso do Primeiro Congresso de Fotógrafas Latino Americanas, em 2019.

É integrante do fotocoletivo Mamana, dedicado a reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres brasileiras na fotografia, e também fundadora do grupo “Fotografia pela Democracia“, formado por fotógrafos voltados à defesa da democracia e dos direitos humanos no país.

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